quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Déjà-vu.


Impossível olhar para a Esplanada dos Ministérios da presidente Dilma Rousseff e não ter, a partir do que se vê nos rostos e se ouve dos discursos, a incômoda sensação de realidade repetida. A prosa incisiva de alguns, o verniz oficial de outros, tudo em maior ou menor grau está representado no primeiro escalão do governo no melhor estilo mais do mesmo que tanto caracteriza as coalizões políticas que têm os mesmos núcleos.
 
Em relação ao funcionalismo, os grandes (e eternos) temas voltam à baila com força total na pele da nova ministra do Planejamento, Miriam Belchior: “Acredito que os gastos de custeio não podem ser simplesmente satanizados. Não abriremos mão de prestar serviços públicos à população, pois assim determina a nossa Constituição. Tenho a convicção, no entanto, de que isso pode ser feito com maior eficiência. É possível fazermos mais com menos. Podemos prestar serviços à sociedade com maior qualidade e maior rapidez”, profetizou minutos depois de ter recebido das mãos do antecessor Paulo Bernardo o simbólico livro da transição.

Há seis anos, quando assumiu o posto hoje ocupado por Miriam, PB — como Bernardo é conhecido pelos mais próximos — repetiu quase que com o mesmo entusiasmo o mantra de que a administração pública e os servidores que a sustentam podem e devem ser mais eficientes, ágeis e transparentes. Uma pesquisa sem grandes pretensões na internet com as palavras “servidor”, “reajuste” e “greve” mostram que, apesar da retórica bem-intencionada, o atual ministro das Comunicações deixou passivos importantes a serem resolvidos por quem quer que venha a sucedê-lo.
 
“Continuaremos valorizando os servidores públicos federais, de forma responsável e dentro dos nossos limites fiscais, pois eles são essenciais para que as prioridades da presidenta Dilma sejam alcançadas”, continuou Miriam durante sua cerimônia de posse. Sob aplausos do jet-set burocrático brasiliense, a ministra emendou outras tantas frases de efeito. Mal sabe ela que a maioria já havia sido dita naquele mesmo auditório — que cheira a mofo quando está lotado — do bloco K.

Miriam, PB, Mantega, Guilherme Dias, Martus Tavares, Pedro Parente, Paulo Paiva, Kandir, José Serra... Esses e outros inquilinos do Ministério do Planejamento  tentaram imprimir marcas, inovar, mas a História mostra que o que os une, infelizmente, é a repetição. De ações, palavras e gestos. Está na hora de abrir espaço ao diferente, ao que faz pensar, ao que provoca reações. O Estado brasileiro precisa disso. Para o seu próprio bem. A classe política também. É o que esperam a sociedade, que banca por meio de impostos toda a estrutura de prestação de serviços públicos, e a turma das repartições, irritada com tantos déjà-vus.

Fonte: Correio Braziliense - 17/01/2011 - Autor(es): Blog do servidor - http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/1/17/deja-vu

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